Askola paprockii, popularmente chamada efemérida ou siriruia, é uma espécie de efemeróptero da família dos leptoflebiídeos (Leptophlebiidae) e do gênero Askola. É endêmica do Brasil. Foi descrita em 2009 por Eduardo Domínguez, Carlos Molineri e Rodolfo Mariano durante uma revisão taxonômica do gênero Askola, que até então continha apenas uma espécie. Distingue-se de suas congêneres pela combinação de coloração branco-amarelada com marcas acinzentadas, asas anteriores manchadas, olhos amplamente unidos na linha mediana dorsal da cabeça e pênis que não ultrapassam a margem posterior da placa estilígera. Os machos medem cerca de 6,5 a 6,8 milímetros de comprimento, apresentando abdome translúcido com extensas marcas escuras e genitália característica utilizada na identificação da espécie. Originalmente conhecida apenas da localidade-tipo em Santo Antônio do Rio Abaixo, Minas Gerais, na confluência do rio do Peixe com o rio Preto do Itambé, a espécie teve sua distribuição ampliada posteriormente com registros em Carbonita, também em Minas Gerais, e no distrito de Taquaruçu, em Palmas, no Tocantins, estendendo sua área conhecida em aproximadamente mil quilômetros para o norte. Os registros situam-se em áreas associadas à Mata Atlântica e ao Cerrado, na sub-bacia do Doce. Embora as fases imaturas permaneçam desconhecidas, presume-se que possuam hábitos aquáticos, como ocorre com os demais efemerópteros. Em avaliação nacional realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a espécie foi classificada como pouco preocupante (LC), uma vez que não foram identificadas ameaças capazes de colocá-la em risco de extinção no futuro próximo.

Etimologia O nome popular efemérida foi construído com base no nome do gênero Ephemera + o sufixo -ída. Seu primeiro registro remonta o século XVII. Siriruia, ou suas formas alternativas sililuia e sirirujá, aparentemente derivavam de aleluia (do latim alleluĭa ou halleluiah) por cruzamento com siriri. O epíteto específico paprockii homenageia H. Paprocki, especialista em tricópteros e um dos coletores do material-tipo da espécie.

Taxonomia e sistemática Askola paprockii é uma espécie de efemeróptero da família dos leptoflebiídeos, pertencente ao gênero Askola. Foi descrita em 2009 por Eduardo Domínguez, Carlos Molineri e Rodolfo Mariano, durante uma revisão das espécies sul-americanas dos gêneros Askola e Hagenulopsis. O gênero Askola havia sido estabelecido por Peters em 1969, originalmente para Askola froehlichi, e era até então monotípico. Na revisão de 2009, três novas espécies brasileiras foram descritas com base em imagos machos: A. emmerichi, A. paprockii e A. cipoensis. O material-tipo foi coletado em Minas Gerais, na confluência do rio do Peixe com o rio Preto do Itambé, a cerca de 500 metros de altitude, em 4 de fevereiro de 1998. O holótipo foi depositado no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZSP), e um parátipo no Instituto-Fundação Miguel Lillo (IFML), em Tucumã, na Argentina.

Diagnóstico Askola paprockii distingue-se das demais espécies conhecidas do gênero pela combinação de coloração geral branco-amarelada com marcas acinzentadas, asas com manchas cinzentas, porção dorsal dos olhos negro-acinzentada e olhos amplamente reunidos dorsalmente na linha mediana da cabeça. Também apresenta quatro veias transversais costais entre a bula e a nervura costal de reforço, fórceps esbranquiçados, exceto pela metade basal tingida de cinza, e pênis que não ultrapassam a margem posterior da placa estilígera. Na chave de identificação apresentada pelos autores, A. paprockii separa-se de A. emmerichi por apresentar fórceps esbranquiçados, exceto pela articulação basal alaranjada, e pênis que não se estendem além da margem posterior da placa estilígera. Em contraste, A. emmerichi possui fórceps castanho-amarelados, com margens internas esbranquiçadas, e pênis que se projetam bem além da margem posterior da placa estilígera. A espécie também difere de A. cipoensis por possuir asas manchadas, olhos reunidos dorsalmente na linha mediana da cabeça e veias transversais costais presentes entre a bula e a nervura costal de reforço.

Descrição O macho adulto mede entre 6,5 e 6,8 milímetros de comprimento corporal, com asa anterior entre 6,5 e 6,7 milímetros. A coloração geral é branco-amarelada, com marcas acinzentadas. A cabeça é branco-amarelada, com duas faixas pretas partindo dos olhos e ocelos em direção à margem anterior. A porção dorsal dos olhos é negro-acinzentada, a porção inferior é preta, e os olhos se encontram amplamente na linha mediana dorsal da cabeça. As antenas são esbranquiçadas. O tórax é branco-amarelado, mais escuro no mesonoto e no metanoto, com marcas enegrecidas no pronoto, pequenas manchas pretas na base das asas, marcas difusas no mesonoto e um par de marcas sublaterais largas no metanoto. As pernas são branco-amareladas, com fêmures ligeiramente mais escuros. Os trocânteres das pernas II e III possuem manchas pretas; a tíbia I apresenta faixa preta subapical, e os fêmures II e III possuem marca preta mediana. As asas anteriores têm membrana hialina, exceto pela base da área costal amarelada e por manchas acinzentadas concentradas principalmente ao redor das veias transversais. As veias longitudinais são amarelo-acinzentadas, tornando-se mais claras em direção à margem posterior, enquanto as veias transversais são enegrecidas e margeadas por cinza. Há quatro veias transversais costais entre a bula e a nervura costal de reforço. O abdome é branco-translúcido, exceto os segmentos IX e X, que são branco-amarelados e fortemente tingidos de preto. O primeiro tergito é completamente escurecido; os tergitos II–VIII apresentam faixa preta nas margens laterais e posterior, interrompida por uma linha mediana clara; os tergitos VII–VIII possuem ainda um par de manchas submedianas enegrecidas próximas à margem anterior. No ventre, o primeiro esternito abdominal apresenta marca preta anteromediana e um par de faixas diagonais largas e enegrecidas; os esternitos II–VII possuem pequena mancha anterolateral e faixa oblíqua fina e curta, terminando nos espiráculos; os esternitos VIII–IX têm margens laterais enegrecidas. A genitália masculina apresenta placa estilígera esbranquiçada, uniformemente tingida de cinza; fórceps esbranquiçados, exceto pela metade basal tingida de cinza; e pênis amarelados, também lavados de cinza. Os filamentos caudais estavam quebrados e ausentes no material examinado na descrição original. Exemplares posteriormente coletados no estado do Tocantins apresentaram comprimento corporal médio de 6,18 milímetros e comprimento médio da asa anterior de 5,98 milímetros, valores próximos aos observados na descrição original. Esses espécimes exibiam tórax e abdome castanho-escuros a negros, indicando variação de coloração em relação ao padrão inicialmente descrito para a espécie.

Distribuição e habitat Askola paprockii é endêmica do Brasil. Originalmente conhecida apenas para o estado de Minas Gerais, onde foi descrita a partir de exemplares coletados na confluência do rio do Peixe com o rio Preto do Itambé, no município de Santo Antônio do Rio Abaixo, a espécie também foi posteriormente registrada em Carbonita, ampliando sua distribuição conhecida dentro da sub-bacia do Doce. Os registros mineiros situam-se em áreas de transição entre os domínios da Mata Atlântica e do Cerrado. Em 2020, novos registros foram documentados para o distrito de Taquaruçu, no município de Palmas, estado do Tocantins, onde diversos exemplares foram coletados em armadilhas luminosas no Vale do Vai Quem Quer. Esse registro representou a primeira ocorrência conhecida da espécie para a região Norte do Brasil e uma ampliação de aproximadamente mil quilômetros em relação à localidade-tipo, demonstrando que sua distribuição geográfica é mais ampla do que se supunha anteriormente. Como ocorre com os demais efemerópteros, as fases imaturas são aquáticas e dependem de ambientes de água doce. Entretanto, informações detalhadas sobre as preferências ecológicas, micro-habitats e distribuição das ninfas permanecem desconhecidas.

Biologia e ecologia A biologia de Askola paprockii é pouco conhecida. A espécie foi descrita apenas com base em imagos machos, e não há informações publicadas sobre fêmeas, ninfas, alimentação, comportamento, voo nupcial, reprodução ou desenvolvimento. Como ocorre em outros efemerópteros, os adultos correspondem ao estágio alado e reprodutivo, enquanto as fases juvenis são aquáticas; porém, no caso desta espécie, os estágios ninfais permanecem desconhecidos.

Conservação Askola paprockii foi avaliada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e categorizada nacionalmente como pouco preocupante (LC) em 2019, com publicação da avaliação em 2020. Segundo a avaliação, a espécie é endêmica do Brasil e conhecida apenas para Minas Gerais, onde ocorre nos municípios de Santo Antônio do Rio Abaixo e Carbonita. Apesar da distribuição aparentemente restrita, não foram identificadas ameaças capazes de colocá-la em risco de extinção em futuro próximo. Por esse motivo, a espécie não atende aos critérios para enquadramento em categorias de ameaça.

Referências

Ligações externas Documentos sobre Askola paprockii na Biodiversity Heritage Library