Carlos Porto, pseudónimo de José Carlos da Silva Castro (Porto, 1930 – Lisboa, 29 de outubro de 2008), foi um crítico de teatro, dramaturgo, jornalista, poeta e tradutor português. Distinguiu-se pela sua influente e duradoura atividade como crítico teatral, desenvolvida ao longo de cerca de cinquenta anos. Foi cofundador e presidente honorário da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro (APCT).

Biografia José Carlos da Silva Castro nasceu no Porto em 1930. Durante a adolescência, enfrentou uma tuberculose grave que o impossibilitou de exercer qualquer ocupação profissional até aos 25 anos. Nesse período, dedicou-se intensamente à leitura e à escrita, aspetos que influenciaram profundamente o seu percurso futuro nas letras e nas artes. Iniciou a sua carreira jornalística colaborando e criando páginas culturais em jornais de menor circulação. Na década de 1950, passou a escrever para O Quinzenário, A Planície de Moura, ligado ao movimento cultural Convívio, no qual publicou os seus primeiros textos sobre teatro e literatura. Mais tarde, integrou a redação do jornal Diário de Lisboa, onde manteve uma coluna regular dedicada ao teatro. Ao longo das décadas seguintes, contribuiu também para diversas outras publicações, como o Jornal de Letras, Flama, Vida Mundial, Ponto, Vértice e Colóquio-Letras, desenvolvendo uma presença constante e de longo curso na imprensa portuguesa. Carlos Porto faleceu em Lisboa, no dia 29 de outubro de 2008, vítima de pneumonia, com 78 anos.

Carreira Durante cerca de cinco décadas, Carlos Porto desempenhou uma atividade crítica contínua que acompanhou a evolução do teatro português da segunda metade do século XX, abrangendo produções das principais companhias nacionais, como o Teatro Experimental do Porto, o Teatro Experimental de Cascais e o Teatro Nacional D. Maria II. Além da crítica, dedicou-se à dramaturgia, à poesia e à tradução, colaborando em diversas obras de referência sobre o teatro português contemporâneo. Entre as suas produções, destaca-se Fábrica Sensível (1992), uma narrativa que conjuga a prática da crítica com o conhecimento da dramaturgia universal. A obra foi posteriormente adaptada e encenada por Jorge Listopad no Teatro Nacional D. Maria II em 1996. O texto apresenta procedimentos que remetem à heteronímia pessoana e inclui alusões a Pirandello, Tchekov e Beckett. Em paralelo, Porto exerceu também atividades como editor literário e envolveu-se na produção editorial e na reflexão teórica sobre o teatro. Foi o responsável pela criação dos cadernos Plano, onde explorou debates sobre criação, encenação e crítica relacionados ao teatro e ao cinema. A professora e investigadora Maria Helena Serôdio descreveu-o como “um dos grandes fazedores de opinião pública em termos de teatro”, sublinhando o papel central que desempenhou na formação do pensamento crítico e na mediação entre as produções cénicas e o público. O seu trabalho estendeu-se igualmente ao panorama internacional, tendo colaborado com várias revistas estrangeiras de teatro, como a Primer acto e a Travail théâtral. Para além disso, contribuiu para títulos de grande prestígio, como o Dictionnaire encyclopédique du théâtre de Michel Corvin. Foi ainda o responsável pela direção do capítulo dedicado a Portugal na edição em quatro volumes de Escenarios de dos mundos: Inventario teatral de Iberoamerica. A sua dedicação ao setor levou-o a ser um dos fundadores da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro (APCT), instituição na qual desempenhou o cargo de presidente da Direção e pela qual foi posteriormente distinguido como Presidente Honorário, a partir de 2003. Em 2008, recebeu a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores, distinção que assinala o impacto duradouro do seu trabalho no teatro e na cultura portuguesa.

Prémio Internacional de Jornalismo Carlos Porto O Prémio Internacional de Jornalismo Carlos Porto é um reconhecimento anual estabelecido pela Companhia de Teatro de Almada e pela Câmara Municipal de Almada. O seu propósito central é valorizar e estimular o jornalismo cultural de alta qualidade, com foco específico na análise crítica e na reflexão aprofundada sobre a programação e os espetáculos apresentados no Festival de Almada. O prémio aceita candidaturas de textos de crítica e reportagem publicados em qualquer órgão de comunicação social escrita (incluindo online), conferindo-lhe um caráter internacional. O galardão está estruturado em três categorias de distinção: Grande Prémio Carlos Porto, Imprensa Generalista e Imprensa Especializada. O Grande Prémio reconhece o melhor trabalho no âmbito global. O processo de seleção é conduzido por um júri composto por representantes de entidades do sector, como o Sindicato dos Jornalistas e a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).

Obras e Prémios Em Busca do Teatro Perdido (2 vols.), Plátano Editora, 1973. (Recolha de artigos de 1958 a 1971). 10 Anos de Teatro e Cinema em Portugal: 1974/1984, Editorial Caminho, 1985. FITEI: Pátria do Teatro de Expressão Ibérica, Fundação Engenheiro António de Almeida, 1997. Teatro em debate(s), Livros Horizonte, 2003. João Guedes: Retrato Incompleto de Um Criador Teatral (Coautoria), Edições Afrontamento. Fábrica Sensível (Dramaturgia), Edições Cotovia. Poesia Cega (Poesia), Campo das Letras. Medalha de Honra no 83o aniversário da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).

Referências