O tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, réu pelo feminicídio da esposa, soldado Gisele Alves Santana, de 32, foi interrogado pela Justiça nessa segunda-feira (5/10) e falou por oito horas no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.Segundo a Justiça, o interrogatório começou às 13h40 e terminou por volta das 22h. Houve uma breve pausa às 16h30.8 imagensFechar modal.1 de 8Gisele Alves Santana tinha 32 anosInstagram/Reprodução2 de 8Gisele morreu no imóvel onde vivia com marido, no Brás, no centro de São PauloInstagram/Reprodução3 de 8Gisele Alves Santana e o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anosInstagram/Reprodução4 de 8Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeitaInstagram/Reprodução5 de 8Gisele Alves Santana tinha 32 anosInstagram/Reprodução6 de 8Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada mortaInstagram/Reprodução7 de 8Gisele Alves Santana foi encontrada morta em um apartamento no BrásInstagram/Reprodução8 de 8Gisele teria tentado se separar do tenente-coronel, mas estava em uma relação considerada abusiva por familiaresInstagram/ReproduçãoO interrogatório do tenente-coronel ocorre após um novo laudo, realizado pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil, concluir que não era possível que a soldado Gisele Santana tenha atentado contra a própria vida — tese alegada pela defesa de Geraldo Neto. O documento também apontou para participação de uma segunda pessoa na dinâmica da morte.O documento, obtido pelo Metrópoles, foi adicionado ao processo na última sexta-feira (2/10) e elaborado para responder aos questionamentos feitos pela defesa do oficial.Neto está preso, desde 18 de março, no Presídio Romão Gomes, unidade prisional exclusiva para policiais militares que cometeram qualquer tipo de crime. A conclusão foi a mesma das perícias anteriores, descartando, de forma categórica, a hipótese de suicídio. O novo laudo foi assinado pela perita criminal Amanda Rodrigues Marinone.Relembre o casoGisele foi socorrida gravemente ferida, com um disparo de arma de fogo na cabeça, em 18 de fevereiro, no apartamento do casal no Brás, na região central de São Paulo, e não resistiu.Geraldo alega que a mulher cometeu suicídio após ele anunciar que queria encerrar a relação, mas a perícia apontou a impossibilidade da tese. Os dois estavam sozinhos no imóvel.O tenente-coronel foi preso em 18 de março, e segue detido preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, sob suspeita de feminicídio.O militar foi pronunciado pelo crime e será submetido ao Tribunal do Júri. A audiência ainda não tem data marcada. Ele também responde a um processo administrativo no Conselho de Justificação da Polícia Militar que pode resultar na perda de sua patente.Em 31 de março, o secretário de Segurança Pública de São Paulo (SSP), Osvaldo Nico Gonçalves, mandou instaurar um conselho deliberativo que vai analisar a demissão do tenente-coronel.O Conselho de Justificação (CJ) instaurado por Nico é um processo administrativo especial que analisa a incapacidade de oficiais das Forças Armadas de permanecerem na ativa. Ao apurar condutas irregulares, o CJ pode punir um oficial com demissão ou reforma. Leia também São PauloCaso Gisele: julgamento que pode demitir tenente-coronel da PM é retomado São PauloCaso Gisele: Conselho que pode demitir tenente-coronel tem acesso a provas São PauloPM Gisele: STJ mantém prisão de tenente-coronel por risco de interferência São PauloPM Gisele: audiências de tenente-coronel começam nesta segunda (29/6) O processo inclui a escolha de três oficiais mais antigos do que o tenente-coronel para avaliar a conduta dele. A decisão ou não pela demissão será submetida ao Tribunal de Justiça Militar (TJM). Se, por exemplo, o TJM referendar a demissão, o próximo passo é a sanção do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).Após ser preso, Geraldo foi transferido para a reserva da corporação a pedido. A transferência foi publicada no Diário Oficial em 2 de abril. O militar tem 30 anos de carreira e passou a ter o direito de se aposentar por tempo de serviço, em 2016.Novo laudoA perita criminal Amanda Rodrigues Marinone concluiu, no laudo, que seria impossível o corpo de Gisele ter sido encontrado na posição em que estava caso se ela tivesse dado o tiro na própria cabeça. A informação sugere o envolvimento de uma segunda pessoa na dinâmica da morte.Para sustentar a conclusão, Amanda citou os testes e simulações que confrontam a versão do tenente-coronel. Os peritos verificaram, por exemplo, que a arma do crime ficava sobre um guarda-roupa com cerca de 2 metros de altura, fora do alcance de Gisele, que tinha 1,65 metro.Também foi analisada a visibilidade a partir do banheiro e concluíram que, diferentemente do que alegou Geraldo, ele não tinha como ver a esposa caída de dentro do box onde supostamente estaria tomando banho. Além disso, o sentido do escorrimento de sangue no corpo da vítima contraria a hipótese de suicídio. Segundo registrou a perita, “reexecutados, esses experimentos produzem o mesmo resultado”.














