A crise da corveta Caldas foi uma crise diplomática entre a Colômbia e a Venezuela, desencadeada pela entrada de uma corveta da marinha colombiana nas águas do Golfo da Venezuela em 9 de agosto de 1987, numa área onde não há delimitação reconhecida por nenhum dos dois países.

Histórico A crise teve origem numa disputa sobre a soberania das áreas marítimas e submarinas, cujos limites ainda estão em negociação entre as duas nações. Tanto a Venezuela quanto a Colômbia delimitaram unilateralmente a área, o que levou a sobreposições perigosas nas áreas de patrulha de suas marinhas. O incidente iniciou-se em 9 de agosto de 1987, com a entrada da corveta A.R.C. Caldas da marinha colombiana em águas disputadas entre os dois países. Ao detectar esse movimento, o então presidente venezuelano, Jaime Lusinchi, autorizou uma grande mobilização das Forças Armadas da Venezuela. Em um rápido desdobramento, mais de 100.000 soldados e veículos blindados foram enviados para a fronteira colombiana. Caças-bombardeiros F-16 recém-adquiridos também foram mobilizados e sobrevoaram os navios colombianos, aguardando ordens para atacar. O governo colombiano, liderado por Virgilio Barco, também ordenou a mobilização militar e alterou os cenários de conflito para seus preparativos militares, designando-os como X-2 Venezuela e X-3 Nicarágua. Isso envolveu a mobilização de diversas unidades do exército e o envio do submarino ARC Tayrona para a área como apoio. Em 17 de agosto de 1987, a crise atingiu seu ápice quando o governo venezuelano ordenou o afundamento do ARC Independiente, agora uma fragata, que havia chegado à área para substituir o ARC Caldas; a fragata colombiana estava armada, assim como o submarino ARC Tayrona. No entanto, a pedido do Secretário-Geral da OEA, João Clemente Baena Soares, e do presidente argentino, Raúl Alfonsín, o governo colombiano retirou a corveta da área.i

Referências

George, Larry N. 1989: Realism and Internationalism in the Gulf of Venezuela, in: Journal of Interamerican Studies and World Affairs, Vol. 30, No. 4, envierno 1988 - 1989 (inglês)