No fim de agosto de 2025, os Estados Unidos iniciaram uma concentração naval no sul do Caribe com o objetivo declarado de combater o tráfico de drogas. O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou que as Forças Armadas dos Estados Unidos passassem a usar força militar contra determinados cartéis de drogas latino-americanos, caracterizando os contrabandistas como narcoterroristas. A primeira operação da campanha foi, em 2 de setembro, o ataque e afundamento de uma embarcação — vinda da Venezuela e supostamente envolvendo membros da quadrilha Tren de Aragua transportando drogas ilegais — que matou 11 pessoas. Os EUA enviaram meios militares para Porto Rico, ataques aéreos subsequentes destruíram outras embarcações supostamente usadas para o contrabando de drogas, incluindo aquelas alegadamente ligadas ao Exército de Libertação Nacional da Colômbia, e a Marinha Dominicana atuou para recuperar drogas de uma das embarcações destruídas. No início de novembro, o envio de meios para a região do Caribe já era o maior em décadas.

Especialistas, autoridades do governo Trump e fontes da oposição venezuelana afirmaram que um provável objetivo da operação é forçar a saída de figuras de topo do governo de Nicolás Maduro. Embora a maioria dos especialistas considere improvável uma invasão terrestre da Venezuela, alguns argumentam que os EUA buscam usar ataques pontuais para pressionar a liderança venezuelana a entregar o poder.

Antecedentes A militarização da guerra às drogas — também conhecida como guerra aos cartéis — data de 1989, durante a presidência de George H. W. Bush, quando Bush apresentou uma estratégia nacional de controle de drogas que enfatizava a interceptação da oferta e alocava recursos significativos para envolver o Departamento de Defesa. Isso incluiu a criação do Office of National Drug Control Policy e formalizou o uso das forças armadas em operações de detecção, treinamento de forças estrangeiras e apoio a agências de aplicação da lei. Em 18 de setembro de 1989, o então secretário de Defesa Dick Cheney anunciou planos específicos: uma força-tarefa de combate ao narcotráfico no Caribe com aeronaves e navios militares, o envio de forças ao longo da fronteira mexicana, o uso ampliado do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte para detectar tráfico de drogas e o treinamento de forças em países sul-americanos como Colômbia, Peru e Bolívia. Cheney enfatizou que os militares não realizariam prisões ou batidas, mas ampliariam seu papel em detecção e apoio logístico, envolvendo "algumas centenas" de soldados na América Latina. Em 1989, o presidente Bush ordenou a invasão do Panamá para depor o ditador de facto do país, Manuel Noriega. A invasão foi condenada pela Assembleia Geral das Nações Unidas como uma "flagrante violação do direito internacional". Posteriormente, os EUA forneceram inteligência a autoridades colombianas e peruanas sobre voos com civis suspeitos de transportarem drogas; depois que vários aviões foram abatidos, o governo Clinton encerrou sua assistência no fornecimento de informações. A Marinha dos Estados Unidos interceptou embarcações suspeitas de serem usadas em operações de contrabando de drogas. As Forças Armadas dos Estados Unidos de modo geral participam de exercícios conjuntos de combate às drogas com outros países, incluindo Colômbia e México. Durante a presidência de George W. Bush, a Lei AUMF e a designação de Especialmente Designado Terrorista Global no contexto da Guerra ao Terror lançaram as bases para classificações subsequentes.

Ações preliminares Em janeiro de 2025, o presidente dos EUA Donald Trump assinou a Ordem Executiva 14157, que determinou que o Departamento de Estado dos EUA rotulasse determinados cartéis de drogas do Hemisfério Ocidental como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados. Em fevereiro, o governo Trump designou o Tren de Aragua, organização criminosa da Venezuela, a MS-13 e seis grupos com base no México como organizações terroristas estrangeiras, afirmando, na época, que eles representavam "uma ameaça à segurança nacional além daquela representada pelo crime organizado tradicional". Em julho, os EUA designaram o Cartel dos Sóis (Cartel de los Soles), uma suposta organização criminosa que os EUA alegam ter vínculos com a liderança venezuelana, como organização terrorista. Na época, o Bureau of Western Hemisphere Affairs do Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou na X que usaria "todos os recursos à nossa disposição para impedir que Maduro continue lucrando com a destruição de vidas americanas e a desestabilização de nosso hemisfério". Avaliações de inteligência dos EUA contrariaram alegações feitas pelo governo Trump em processos judiciais de que Maduro controla o Tren de Aragua. O governo Trump solicitou que a avaliação fosse repetida, e ela chegou à mesma conclusão. A decisão de Donald Trump de designar cartéis de drogas como organizações "terroristas" — incluindo o Cartel de Sinaloa, o Cartel Jalisco Nova Geração, o Cártel del Noreste, o Tren de Aragua, a MS-13, o Cartel do Golfo e a La Nueva Familia Michoacana Organization — estabeleceu a base para a intervenção dos EUA. Em julho, Trump assinou secretamente uma ordem executiva instruindo as forças armadas a invocar ação militar contra cartéis declarados como organizações terroristas.

O governo Trump acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de tráfico de drogas para os EUA. No início de agosto, o governo Trump elevou para US$ 50 milhões a recompensa por sua captura, devido ao que alega ser seu papel no tráfico de drogas. Maduro foi indiciado nos EUA por acusações de drogas, incluindo narcoterrorismo, em 2020. Após autorizar o Pentágono a usar força militar contra cartéis de drogas latino-americanos, o governo Trump dobrou a recompensa pela captura de Maduro para US$ 50 milhões. À época, um funcionário norte-americano anônimo disse à Reuters que uma ação militar contra esses grupos não parecia iminente; outro funcionário disse à Reuters que os poderes concedidos pela ordem incluíam permitir que a Marinha realizasse operações marítimas, incluindo interdição de drogas e ataques militares pontuais. Em agosto de 2025, os EUA começaram a enviar navios de guerra e pessoal ao Caribe, alegando a necessidade de combater os cartéis de drogas, embora a maior parte do fentanil que entra nos EUA chegue por terra, via México. Em 20 de agosto, Trump ordenou o envio de três navios de guerra da Marinha para a costa da América do Sul. Em 29 de agosto, sete navios de guerra dos EUA, juntamente com um submarino nuclear de ataque rápido, estavam dentro e ao redor do sul do Caribe, com mais de 4 500 marinheiros e fuzileiros navais a bordo. A CIA juntou-se à campanha militar após confirmar que desempenharia um papel significativo no combate aos cartéis de drogas, ao mesmo tempo em que considerava o uso de força letal contra essas organizações criminosas. A Venezuela afirmou que mobilizaria mais de quatro milhões de soldados na Milícia Bolivariana da Venezuela. Em 26 de agosto, o ministro da Defesa da Venezuela anunciou um deslocamento naval ao redor do principal polo petrolífero do país. Maduro disse que "declararia constitucionalmente uma república em armas" se o país fosse atacado pelas forças que os EUA haviam enviado ao Caribe.

Deslocamento inicial e ataques aéreos

Segundo The Economist, os EUA normalmente mantêm "dois ou três navios de guerra americanos e navios-patrulha da Guarda Costeira" em patrulha no sul do Caribe. Em 25 de setembro, o deslocamento incluía dez navios: os contratorpedeiro lança-mísseis guiados USS Gravely, USS Stockdale e USS Jason Dunham; o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima e os navio de transporte anfíbios USS San Antonio e USS Fort Lauderdale; o cruzador de mísseis guiados USS Lake Erie; o navio de combate litoral USS Minneapolis-Saint Paul; o submarino nuclear de ataque rápido USS Newport News, e o navio de operações especiais MV Ocean Trader. Segundo o Financial Times, "cinco dos oito navios estão equipados com mísseis Tomahawk, capazes de atingir alvos em terra". Em 25 de setembro, o Task & Purpose informou que os EUA haviam enviado o navio de operações especiais MV Ocean Trader para o Caribe. O Iwo Jima, o Fort Lauderdale e o San Antonio do Grupo de Prontidão Anfíbia Iwo Jima deixaram Norfolk, Virgínia, em 14 de agosto, com mais de 4 000 efetivos, incluindo a 22a Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, com 2 200 fuzileiros navais. Segundo o Instituto Naval dos Estados Unidos, isso marcou "a primeira vez que um Grupo de Prontidão Anfíbia sediado nos EUA, com fuzileiros embarcados, é destacado desde dezembro". O historiador Alan McPherson afirmou que o reforço naval é o maior na região desde 1965. Durante uma visita surpresa em 8 de setembro a Porto Rico com o Estado-Maior Conjunto dos EUA, Dan Caine, o secretário de Defesa Pete Hegseth disse a marinheiros e fuzileiros navais destacados para a área: "O que vocês estão fazendo agora – não é treinamento ... Este é o exercício do mundo real em nome dos interesses nacionais vitais dos Estados Unidos da América para pôr fim ao envenenamento do povo americano".

Em resposta à presença de navios de guerra da Marinha na América Latina, dois caças F-16 da Aviação Militar Bolivariana da Venezuela sobrevoaram o USS Jason Dunham em 4 de setembro. O Departamento de Defesa dos EUA chamou o ato de "altamente provocativo" e destacou dez caças F-35 e dois drones MQ-9 Reaper para Porto Rico. Nesse mesmo dia, Rubio se reuniu com o presidente equatoriano Daniel Naboa em Quito; Rubio afirmou que Trump pretendia "declarar guerra" àqueles que "têm travado guerra contra nós há 30 anos" e designou as gangues Los Lobos e Los Choneros como narcoterroristas, em acordo com Noboa. Posteriormente, em 23 de setembro, os Estados Unidos adicionaram a gangue 18th Street à lista de terroristas estrangeiros designados, a qual é amplamente ativa em países costeiros do Caribe, como Guatemala e Honduras, dentre outros. O governo venezuelano afirmou, em 12 de setembro, que um destróier norte-americano deteve e abordou um barco de pesca de atum com nove tripulantes. O destróier acabou liberando a embarcação, que foi escoltada pela Marinha venezuelana. O ministro venezuelano das Relações Exteriores, Yván Gil, classificou o ato como ilegal e acrescentou que a Venezuela se defenderia. Em demonstração de força, a Venezuela iniciou, em 17 de setembro, exercícios militares de grande escala no Caribe. As manobras, envolvendo forças navais e aéreas, tinham o objetivo de reforçar as capacidades de defesa do país e demonstrar sua prontidão para proteger suas águas soberanas.

Ataques aéreos contra embarcações

Em 2 de setembro, Trump declarou que os EUA haviam atacado um barco transportando drogas ilegais não especificadas, alegando que era operado pelo Tren de Aragua. Trump afirmou que o ataque matou 11 "narcoterroristas". Segundo The Wall Street Journal, "o ataque foi o primeiro bombardeio aéreo reconhecido publicamente pelos EUA na América Central ou do Sul desde a invasão do Panamá em 1989". Trump sugeriu novas ações militares, afirmando: "Tem mais de onde veio isso". No dia seguinte, Hegseth declarou que as ações militares contra cartéis na Venezuela continuariam. O secretário de Estado Marco Rubio, falando na Cidade do México, afirmou que ocorreriam novos ataques, acrescentando que os EUA conheciam a identidade das pessoas na embarcação destruída, mas não apresentaram provas de que fossem membros do Tren de Aragua. Trump anunciou em 15 de setembro que um segundo barco venezuelano havia sido atacado naquela manhã, matando três pessoas que, segundo ele, eram "narcoterroristas confirmados". Não foram apresentadas provas de que a embarcação transportasse drogas. O The Guardian informou em setembro que fontes anônimas disseram que o Conselho de Segurança Interna — fortalecido e liderado por Stephen Miller — teve "papel de destaque" na decisão de atacar os barcos, sendo que muitos funcionários da Casa Branca só souberam do segundo ataque poucas horas antes de ocorrer. Trump anunciou em 19 de setembro que uma terceira embarcação supostamente carregando drogas havia sido destruída no Caribe, resultando na morte de três homens; segundo Trump, a embarcação era "afiliada a uma Organização Terrorista Designada que realiza narcotráfico na área de responsabilidade do USSOUTHCOM". A República Dominicana anunciou posteriormente que havia cooperado com a Marinha dos EUA em uma operação conjunta inédita para localizar o barco e recuperar 377 pacotes de cocaína. Em 3 de outubro, Hegseth anunciou que um ataque a uma embarcação próximo à costa venezuelana havia matado quatro pessoas, e dois funcionários dos EUA declararam mais tarde, sem autorização, que havia colombianos em pelo menos um dos barcos. Em 14 de outubro, Trump publicou uma mensagem na Truth Social informando que outras seis pessoas haviam sido mortas em um ataque próximo à costa da Venezuela. A Reuters noticiou que outro ataque, não anunciado anteriormente, em 16 de outubro, matou duas pessoas e, pela primeira vez, deixou dois sobreviventes, que foram mantidos em um navio da Marinha. Em 19 de outubro, ambos foram repatriados a seus países de origem, Colômbia e Equador. Em 17 de outubro, três pessoas foram mortas em um ataque a uma suposta embarcação de drogas operada pelo Exército de Libertação Nacional (ELN); o ELN negou envolvimento em qualquer tráfico de drogas por barco. Em 24 de outubro, Hegseth anunciou "o primeiro ataque noturno" contra uma suposta embarcação de drogas operada pelo Tren de Aragua no Caribe, matando seis pessoas a bordo. Um ataque no Caribe em 2 de novembro matou três pessoas, e outro ataque em 6 de novembro matou três. Um ataque em 10 de novembro deixou quatro mortos.

Declaração de conflito armado e escalada

Em 30 de setembro, Trump disse a repórteres que seu governo analisaria "com muita seriedade os cartéis que chegam por terra", o que, segundo o Miami Herald, "está em sintonia com reportagens recentes sugerindo que o governo analisa planos para operações pontuais dentro da Venezuela". Trump declarou formalmente ao Congresso, em 1.o de outubro, que os EUA se encontravam em um "conflito armado não internacional" com "combatentes ilegais" em relação a cartéis de drogas atuando no Caribe. O The Guardian relatou que o memorando enviado ao Congresso descrevia os cartéis como "grupos armados não estatais" engajados em ataques contra os EUA. Andrew C. McCarthy afirmou, na National Review, que essa terminologia se refere a um conflito "que não coloca duas nações soberanas uma contra a outra" e significa "hostilidades armadas conduzidas por uma entidade subnacional que não age em nome de um Estado estrangeiro", citando como exemplo a Al-Qaeda e os atentados de 11 de setembro. O Miami Herald escreveu que "em um conflito armado, um país pode, legalmente, matar combatentes inimigos mesmo quando não representam ameaça imediata". The Washington Post afirmou: "alguns legisladores e especialistas dizem que a notificação é uma justificativa jurídica duvidosa para o que teriam sido ataques militares ilegais contra supostos criminosos civis". Vladimir Padrino López, ministro da Defesa da Venezuela, declarou em 2 de outubro que cinco "aviões de combate" norte-americanos foram detectados voando próximos à Venezuela a 35 000 pés (11 000 m), o que classificou como "provocação"; um comunicado do governo disse que a aeronave estava a 75 quilômetros (47 mi) da costa venezuelana, o que a CNN observa estar fora do território venezuelano. Em 28 de outubro, o número de militares norte-americanos no sul do Caribe e em Porto Rico havia aumentado para 10 mil, aproximadamente metade em Porto Rico e metade a bordo de embarcações. Meios militares dos EUA na região são considerados insuficientes para uma invasão. As forças incluíam elementos do 160.o Regimento de Aviação de Operações Especiais (Aerotransportado) que fornece apoio de helicópteros às forças de operações especiais. As forças armadas venezuelanas eram estimadas em 125 mil efetivos em outubro de 2025, com especialistas afirmando que o Exército está "em frangalhos", segundo o Wall Street Journal, que noticiou em 17 de outubro que a Venezuela havia feito um chamamento às armas e "acionado sua máquina de propaganda", afirmando que os EUA cobiçavam sua riqueza petrolífera, enquanto Caracas movia tropas para a costa e se dizia pronta para "repelir qualquer invasão". A Reuters relatou em 2 de novembro de 2025 que "o reforço militar na região é o maior não relacionado a ajuda em desastres desde 1994, quando os Estados Unidos enviaram dois porta-aviões e mais de 20 mil tropas ao Haiti" durante a Operação Uphold Democracy.

Esforços diplomáticos Em 6 de outubro, Trump ordenou ao enviado especial Richard Grenell que encerrasse todos os diálogos diplomáticos com a Venezuela em meio ao aumento das tensões e frustrações com o processo político venezuelano. Desde pelo menos abril de 2025, o Catar atuava como intermediário político, buscando manter canais de comunicação entre os dois países por meio de diplomacia discreta. Fontes informaram ao Miami Herald que o Catar, que "tem laços estreitos com o governo venezuelano", desempenhou "papel-chave como intermediário" entre autoridades de Maduro e os irmãos Delcy e Jorge Rodríguez, ao promover Delcy e o não aparentado Miguel Rodríguez Torres como líderes de uma transição, "uma alternativa 'mais aceitável' ao regime de Nicolás Maduro", com o objetivo de "preservar a estabilidade política sem desmontar o aparato governante". A Associated Press confirmou o relato, e afirmou que, segundo um funcionário anônimo, a proposta previa que Maduro fosse substituído por Delcy até o fim de seu mandato, em 2031; a AP informou que Washington "rejeitou a proposta por continuar questionando a legitimidade do governo Maduro". Maduro e Delcy Rodríguez classificaram a reportagem como fake news. Delcy Rodríguez disse que o relato fazia parte de uma operação de guerra psicológica.

Conflito com a Colômbia Após críticas crescentes do presidente colombiano Gustavo Petro sobre os ataques dos EUA contra embarcações e o apoio dos Estados Unidos a Israel na guerra de Gaza durante sua participação na octogésima sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro, o Departamento de Estado dos Estados Unidos revogou o visto de Petro em 27 de setembro, afirmando na X que: "Hoje mais cedo, o presidente colombiano (Gustavo Petro) permaneceu em uma rua de Nova York e conclamou soldados norte-americanos a desobedecer ordens e incitar violência". Em 18 de outubro, Petro afirmou que o ataque de 16 de setembro anunciado por Trump havia matado um pescador colombiano; outras fontes dizem que ele se referia ao ataque de 15 de setembro. Petro afirmou que a embarcação não estava envolvida com tráfico de drogas e acusou os EUA de homicídio. Os EUA classificaram a acusação como "infundada". Trump respondeu chamando Petro de "líder ilegal de drogas", "mal avaliado" e não colaborando para reduzir a produção de entorpecentes, anunciando o fim dos volumosos subsídios concedidos pelos EUA à Colômbia. Em outubro de 2025, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Petro e o ministro do Interior Armando Benedetti, citando suposto envolvimento em atividades ilícitas de tráfico de drogas. As medidas marcaram uma deterioração significativa nas relações bilaterais, com o governo colombiano condenando a decisão como politicamente motivada e classificando-a como "ato de agressão" contra sua soberania. Analistas descreveram o passo como uma das mais severas escaladas diplomáticas entre Bogotá e Washington em anos.

Expansão Inicialmente apresentada como missão para impedir o tráfico de entorpecentes aos EUA, por meados de outubro figuras da oposição venezuelana e analistas independentes confirmaram uma mudança de objetivo dos EUA em direção à mudança de regime, com Trump admitindo a possibilidade de ataques dentro do território venezuelano. Hegseth anunciou em 10 de setembro a criação de uma nova força-tarefa conjunta de combate ao narcotráfico, destinada a operar na América Latina, no hemisfério ocidental e na área de atuação do Comando Sul dos Estados Unidos (USSOUTHCOM), a ser comandada pela II Força Expedicionária de Fuzileiros Navais, com o objetivo de "aniquilar os cartéis, interromper o veneno e manter a América segura". Em 15 de outubro, Trump confirmou que havia autorizado a CIA a realizar operações terrestres letais dentro da Venezuela e em outros locais no entorno do Caribe, e que autoridades militares elaboravam opções de ataques em território venezuelano. Trump relacionou a decisão à imigração ilegal nos Estados Unidos e ao narcotráfico, afirmando: "Em primeiro lugar, eles esvaziaram suas prisões nos Estados Unidos da América. Eles entraram pela, bem, entraram pela fronteira ... E a outra coisa são as drogas, temos muitas drogas entrando da Venezuela". O New York Times informou no dia seguinte que Alvin Holsey se aposentaria do comando do USSOUTHCOM, com fontes anônimas mencionando tensão entre Holsey e o governo Trump em relação à Venezuela. A Força Aérea dos Estados Unidos participou da campanha em 15 de outubro de 2025, quando aviadores pilotaram bombardeiros B-52 Stratofortress ("um bombardeiro pesado de longo alcance capaz de carregar armamento guiado de precisão ou armas nucleares") ao norte de Caracas por duas horas, juntamente com caças F-35B Lightning II da Marinha, em uma "missão de demonstração de ataque de bombardeiro", segundo o Task & Purpose. Em 23 de outubro, pelo menos dois B-1B Lancer da Força Aérea, de Dyess Air Force Base, apoiados por aviões-tanque KC-135 da MacDill Air Force Base e uma variante não especificada da aeronave de reconhecimento RC-135, realizaram um sobrevoo supostamente a menos de 80 km do continente venezuelano. Questionado em entrevista coletiva sobre o sobrevoo dos B-1, Trump negou que o evento tivesse ocorrido. Também em 23 de outubro, uma aeronave Bombardier E-11A equipada com o sistema Battlefield Airborne Communications Node (BACN) foi observada operando próximo a Porto Rico. Segundo investigação visual do The New York Times, imagens de satélite e outros dados revelaram que os EUA começaram a operar aeronaves a partir de El Salvador em meados de outubro; as três aeronaves identificadas incluíam o AC-130J Ghostrider da Força Aérea, "projetado para destruir alvos em terra ou no mar usando mísseis ou rajadas de canhões e metralhadoras", juntamente com um P-8A Poseidon operado pela Marinha e um C-40 Clipper, sobre o qual pouco se sabe. O relatório afirmou que "o deslocamento ... provavelmente é a primeira vez que um país estrangeiro hospeda aeronaves dos EUA potencialmente envolvidas em ataques militares na região". Segundo The War Zone, o P-8 é a "aeronave de patrulha marítima mais avançada do mundo e é especificamente capaz de coletar múltiplos tipos de inteligência para localizar alvos pequenos em vastas extensões de água". O destróier Gravely chegou em 26 de outubro de 2025 para permanecer quatro dias em Trinidad e Tobago, onde as forças locais participariam de treinamento conjunto com fuzileiros navais dos EUA. Em 31 de outubro, o cruzador lança-mísseis guiados Gettysburg (CG-64) juntou-se à frota. Hegseth ordenou o deslocamento do superporta-aviões USS Gerald R. Ford para a América Latina em 24 de outubro. Segundo The Washington Post, trata-se do "maior porta-aviões do mundo" e seu envio "sinalizou ampla expansão da campanha militar contra 'Organizações Criminosas Transnacionais' na América Latina". O New York Times relatou que o navio "transporta cerca de 5 mil marinheiros e conta com mais de 75 aeronaves de ataque, vigilância e apoio, incluindo caças F/A-18". A ala aérea completa (carrier air wing) do Ford estaria embarcada. Embora seu grupo de escolta normalmente inclua cinco contratorpedeiros da classe Arleigh Burke — USS Winston S. Churchill, USS Bainbridge, USS Mahan, USS Forrest Sherman e USS Mitscher — em 8 de novembro o Forrest Sherman e o Mitscher ainda operavam de forma independente em outras regiões do globo (como o mar Vermelho). Em 26 de outubro, uma aeronave russa sob sanções dos EUA pousou na Venezuela "após rota sinuosa sobre a África para evitar o espaço aéreo ocidental, segundo o Flightradar24". O Washington Post relatou que Maduro havia enviado carta a Vladimir Putin, solicitando ajuda com "radares defensivos, reparo de aeronaves militares e, possivelmente, mísseis", além de ter contatado "China e Irã para obter assistência militar e equipamentos que reforcem as defesas do país". Por determinação do Departamento de Defesa dos EUA, a Administração Federal de Aviação baniu voos em uma área próxima a Ceiba, Porto Rico, por "motivos especiais de segurança" de 1.o de novembro de 2025 a 31 de março de 2026. Com a chegada, em 11 de novembro, do USS Gerald R. Ford e seus escoltas à área de responsabilidade do USSOUTHCOM, os EUA passaram a contar com cerca de 15 mil militares na região, presença que The Washington Post descreveu como "impactante em uma região que historicamente via apenas um ou dois navios da Marinha auxiliando a Guarda Costeira em missões rotineiras de interdição de drogas". Em 13 de novembro de 2025, Hegseth anunciou o lançamento da Operação Southern Spear (Lança do Sul), uma frota que utiliza robótica e sistemas autônomos para combater o tráfico de drogas na América Latina.

Alvos terrestres na Venezuela Trump afirmou em 22 de outubro que planejava ordenar ataques também contra alvos em terra. O Wall Street Journal relatou em 30 de outubro de 2025 que, segundo autoridades norte-americanas, os EUA haviam identificado alvos em terra "que se situam no ponto de convergência entre gangues de drogas e o regime Maduro", incluindo instalações como portos e pistas de pouso que as forças armadas venezuelanas supostamente usam para o tráfico de drogas. Trump negou uma reportagem do Miami Herald, de 31 de outubro, segundo a qual o "governo Trump [já havia] decidido atacar instalações militares dentro da Venezuela". A revista Newsweek informou no mesmo dia que navios dos EUA estavam posicionados próximos à base militar venezuelana da Ilha La Orchila, "em alcance operacional imediato para missões anfíbias ou ataques de precisão". O Comando Sul dos Estados Unidos divulgou vídeos de exercícios de tiro real conduzidos por fuzileiros navais; imagens de satélite confirmaram que o local era o USS Iwo Jima, situado a menos de 200 quilômetros (120 mi) da costa da Venezuela e acompanhado por dois destruidores.

Reações

Venezuela Em 18 de agosto, Maduro disse que os EUA "enlouqueceram e renovaram suas ameaças à paz e tranquilidade da Venezuela". Ele "anunciou a mobilização planejada de mais de 4,5 milhões de integrantes da milícia" em todo o país, segundo a Associated Press, e deu início ao alistamento de milicianos em 23 de agosto. The Economist demonstrou ceticismo, observando que "as atas eleitorais mostram que ele recebeu menos de 3,8 milhões de votos no ano anterior; é improvável que mais pessoas estejam dispostas a lutar para defendê-lo do que a votar nele". O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos estimou, em 2020, que a milícia contava com 343 mil integrantes. A BBC relatou que muitos dos recém-mobilizados são "formados principalmente por voluntários de comunidades pobres, embora servidores públicos relatem ter sofrido pressão para ingressar". Em 25 de agosto, Maduro "disse que 15 mil homens 'bem armados e treinados' haviam sido enviados a estados próximos à fronteira com a Colômbia", segundo The Economist. Após o ataque de 2 de setembro, Maduro declarou que os EUA estavam "vindo atrás das riquezas da Venezuela". Maduro afirmou que "a Venezuela enfrenta a maior ameaça vista em nosso continente nos últimos 100 anos". A líder da oposição venezuelana María Corina Machado afirmou que o deslocamento encorajou "dezenas e dezenas de milhares" de venezuelanos a se juntar a um movimento clandestino que busca derrubar Maduro. Machado disse que as eleições presidenciais de 2024 deram um mandato para mudança de regime, embora tenha enfatizado que a mudança de regime seria responsabilidade dos próprios venezuelanos, e não dos EUA. Após outro ataque aéreo, em 15 de outubro de 2025, Maduro declarou novos exercícios militares em favelas de Caracas e estados vizinhos. Na semana seguinte, autoridades anunciaram a instalação em larga escala de câmeras de vigilância, bem como a reativação do VenApp, aplicativo utilizado durante a Crise política na Venezuela em 2024 para facilitar denúncias entre cidadãos, permitindo reportar às autoridades "tudo o que veem e ouvem, 24 horas por dia". Após a chegada do USS Gravely a Trinidad e Tobago em 26 de outubro, a Venezuela condenou os exercícios conjuntos daquele país com os EUA, classificando-os como "provocação militar". A vice-presidente Delcy Rodríguez alegou, sem apresentar provas, que a Venezuela havia capturado um grupo de mercenários "com informações diretas da agência de inteligência norte-americana" cujo objetivo seria realizar um ataque de falsa bandeira na região. O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, afirmou em 27 de outubro que a célula capturada contava com quatro membros "financiados pela CIA", que planejavam atribuir à Venezuela a responsabilidade por um ataque ao Gravely. Nenhum detalhe adicional sobre os detidos foi divulgado; a Agence France-Presse observou que "a Venezuela regularmente afirma ter detido mercenários apoiados pelos EUA que visam desestabilizar o governo Maduro".

América Latina e Caribe O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, inicialmente sugeriu que qualquer ataque à Venezuela equivaleria a um ataque à América Latina e ao Caribe, o que poderia levar as forças armadas colombianas a apoiar a Venezuela; posteriormente, moderou sua posição. Em 23 de setembro, ele discursou na Assembleia Geral da ONU pedindo a abertura de um "processo criminal" contra Donald Trump pelos ataques no Caribe. A Colômbia convocou reunião virtual extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos em setembro de 2025, que concluiu com manifestação de "profunda preocupação" em relação à intervenção estrangeira na região. Apesar da objeção da Guatemala quanto ao descumprimento de procedimentos, o grupo emitiu uma declaração defendendo que a região permaneça "Zona de Paz", baseada "... na proibição da ameaça ou uso da força, na solução pacífica de controvérsias, na promoção do diálogo e do multilateralismo, no respeito irrestrito à soberania e integridade territorial, na não interferência nos assuntos internos dos Estados e no direito inalienável dos povos à autodeterminação". O presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, afirmou que o país constava na lista de 21 Estados (dos 33 membros) que aprovaram o texto, embora não o tenha assinado, assim como Equador, Peru, Costa Rica e El Salvador. Em agosto, quando os três primeiros navios foram enviados, a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, ofereceu aos militares dos EUA acesso ao território trinitário para permitir que os EUA protegessem a Guiana no contexto da crise entre Guiana e Venezuela (2023–2024). Maduro respondeu que a oferta de Persad-Bissessar equivalia a declarar guerra à Venezuela e ameaçou ambos os países com retaliação caso Trinidad levasse adiante a proposta. Posteriormente, Persad-Bissessar elogiou o deslocamento e o ataque de 2 de setembro, afirmando que "os militares dos EUA deveriam matar [todos os traficantes de drogas] violentamente". O ministro das Relações Exteriores de Barbados, Kerrie Symmonds, declarou que os chanceleres da CARICOM haviam enviado carta ao secretário de Estado norte-americano Marco Rubio pedindo que operações militares no Caribe não fossem conduzidas sem aviso prévio ou explicação. O deslocamento recebeu apoio do governo da Guiana, cujo território tem dois terços reivindicados pela Venezuela, com o vice-presidente e ex-presidente Bharrat Jagdeo dizendo ao Financial Times que "não se pode confiar em Maduro". Segundo o Havana Times, o envio de navios "reacendeu tensões e dividiu opiniões na região", com o "eixo Cuba–Venezuela–Nicarágua" classificando a medida como "ofensiva imperialista", enquanto outros países "endureceram sua postura contra Maduro e o Cartel dos Sóis". O comandante da Guarda Costeira das Ilhas Cayman, Robert Scotland, declarou que os ataques dos EUA enviariam "mensagem muito clara às entidades designadas como narcoterroristas, e deveriam servir como forte dissuasão a quem busque se envolver no tráfico ilícito de drogas e armas em nossa região". O gabinete do Governador das Ilhas Cayman afirmou que o governo britânico "reconhece a importância da segurança regional e está comprometido em fornecer orientação e capacitação a nossos parceiros de aplicação da lei nas Ilhas Cayman", ressaltando a aliança de defesa mútua entre Reino Unido e Estados Unidos e enfatizando o crime organizado como ameaça comum. Os Estados Unidos mantêm duas Bases Operacionais Avançadas (FOL) em territórios holandeses de Aruba e Curaçao, decorrentes de tratado firmado em 2000. Em resposta à escalada entre Venezuela e EUA, o governo holandês adotou postura neutra, mas afirmou que tratados devem ser respeitados. O ministro da Defesa holandês, Ruben Brekelmans, afirmou que o tratado "permite voos a partir de Curaçao apenas para vigilância, monitoramento e detecção de carregamentos de drogas. Esse consentimento se aplica somente a voos desarmados". Segundo o Curacao Chronicle, o ministro indicou que cerca de mil soldados nas Antilhas Neerlandesas e os meios da Guarda Costeira Caribenha Neerlandesa, incluindo aeronaves, poderiam ser utilizados "se a situação se agravar". Em 19 de setembro, o primeiro-ministro de Curaçao, Gilmar Pisas, declarou que renovaria o tratado relativo à FOL baseada em Curaçao até pelo menos 2 de novembro de 2026. Em 9 de outubro, os Estados Unidos manifestaram interesse em estabelecer base temporária de radar militar na Ilha de Granada, no Aeroporto Internacional Maurice Bishop. O governo granadino, liderado pelo primeiro-ministro Dickon Mitchell, do Congresso Nacional Democrático, de centro-esquerda, respondeu que analisaria o pedido. Críticos do Novo Partido Nacional, de orientação conservadora, como Chester Humphrey e o independente Peter David, instaram a administração Mitchell a rejeitar a proposta, argumentando que os ataques dos EUA seriam pretexto para guerra com a Venezuela, país que, segundo eles, "não fez ... nada" contra Granada. Na semana seguinte, o almirante Alvin Holsey viajou para Antígua e Barbuda com pedido semelhante, que foi negado. Holsey encontrou-se com autoridades de Granada em 15 de outubro; a reunião não teve conclusão imediata. O governo — em articulação com a CARICOM — declarou posteriormente que decisões seriam adiadas até a conclusão de "todas as avaliações técnicas e jurídicas", levando em conta interesses nacionais e públicos.

Outros O Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou o deslocamento como "força militar excessiva", e a porta-voz Maria Zakharova afirmou que Moscou "reafirma nosso firme apoio à liderança venezuelana na defesa de sua soberania nacional".

Análise O Miami Herald relatou em 2 de outubro de 2025 que fontes afirmavam que a operação dos EUA havia "praticamente fechado" a movimentada "rota caribenha" responsável, em 2024, por embarques anuais estimados entre 350 e 500 toneladas de cocaína vindas da Venezuela. Segundo o jornal, o "objetivo da campanha é financeiro: cortar a receita de drogas que sustenta a lealdade entre altos comandantes militares e policiais da Venezuela, muitos dos quais são acusados de lucrar diretamente com o narcotráfico". O tráfico por rotas aéreas e terrestres antigas, partindo da Colômbia, é mais caro que o transporte marítimo, e fontes indicaram que o "fluxo de caixa vindo do tráfico está sob ameaça direta, o que coloca em risco a coesão da elite militar venezuelana", levando "autoridades a recorrerem a impostos e extorsões mais pesados sobre negócios para manter o aparato de segurança do Estado funcionando". Segundo The Economist, "poucos ... acreditam que as drogas sejam o único ou sequer o principal foco" da operação, observando que o fentanil, droga responsável pelo maior número de mortes nos EUA, é quase totalmente "sintetizado no México e traficado pelo interior, por terra", e que "o equipamento" — por exemplo, contratorpedeiros — "não corresponde à tarefa" de policiamento antidrogas. A revista afirma que "tudo isso faz mais sentido se a intenção principal for intimidar Maduro, dar ânimo à oposição venezuelana ou até estimular um levante nas forças armadas venezuelanas — encorajado, talvez, pela recompensa recentemente dobrada". Especialistas ouvidos pela Reuters e pela BBC descreveram o deslocamento como exemplo de diplomacia do canhoneiro e fontes do governo Trump afirmaram que um objetivo provável era pressionar o governo Maduro. James G. Stavridis, ex-almirante da Marinha dos EUA, caracterizou o ataque e outras ações militares recentes como diplomacia do canhoneiro destinada a demonstrar a vulnerabilidade de plataformas petrolíferas e materiais venezuelanos. Ele escreveu que a interdição de drogas provavelmente não era a única razão para o aumento da presença militar norte-americana. O New York Times relatou que um grupo de autoridades, liderado pelo conselheiro de Segurança Nacional e secretário de Estado Marco Rubio, pressionava por campanha militar que levasse à derrubada de Maduro. Membros da oposição venezuelana disseram ao jornal que coordenaram com o governo Trump um plano para as primeiras cem horas após a deposição de Maduro. O PBS News noticiou que Trump vinha utilizando as forças armadas para combater cartéis que ele responsabilizava pelo tráfico de fentanil e outras drogas ilícitas para os EUA e por alimentar a violência em cidades norte-americanas, ressaltando que o governo "não havia sinalizado qualquer incursão terrestre planejada". De modo semelhante, The Guardian afirmou que "muitos especialistas são céticos quanto à possibilidade de que os EUA planejem intervenção militar" na Venezuela. O Financial Times escreveu que os ataques visam pressionar membros do governo venezuelano a renunciar ou negociar transição, ao demonstrar a capacidade das forças armadas norte-americanas de capturá-los ou matá-los por meio de ataques seletivos. Segundo The New York Times, "especialistas em direito de guerra e poderes executivos" afirmaram que Trump havia "utilizado as forças armadas de forma sem precedente claro ou base jurídica sólida". De acordo com a organização Science for Peace, o resultado do conflito pode transformar o fluxo de migrantes da Venezuela em verdadeira enxurrada, como ocorreu em países como Líbia, Síria ou Haiti, agravando ainda mais a crise migratória nos EUA. O conflito poderia desestabilizar toda a região, incluindo Brasil, Colômbia e Cuba.

Ver também Protocolo Urrutia – bloqueio naval de 1858 por Reino Unido e França

Notas

Referências