Elizabeth Bugie Gregory (5 de outubro de 1920 – 10 de abril de 2001) foi uma bioquímica norte-americana. Bugie co-descobriu a estreptomicina, o primeiro antibiótico eficaz contra Mycobacterium tuberculosis, no laboratório de Selman Waksman, na Universidade Rutgers. Waksman viria a ganhar o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1952 e ficou com o crédito pela descoberta. A descoberta da estreptomicina por Bugie representou um marco na história da medicina, pois foi o primeiro antibiótico eficaz contra a tuberculose, uma doença que, até então, matava milhões de pessoas no mundo todo. Esse avanço abriu caminho para o tratamento moderno de infecções bacterianas graves e salvou incontáveis vidas ao longo do século XX. Apesar disso, o reconhecimento de sua contribuição foi profundamente desigual: durante décadas, seu papel foi minimizado ou praticamente apagado, enquanto outros colegas receberam a maior parte do crédito e das recompensas, incluindo o Prêmio Nobel. Apenas com o passar do tempo e a revisão crítica da história da ciência é que sua participação começou a ser mais valorizada, revelando não só a dimensão de seu trabalho, mas também as barreiras de gênero que impediram que ela fosse devidamente reconhecida em vida.
Biografia Bugie nasceu em 1920, filha de Charles Bugie e Madeline Turbett. Seu pai nunca estudou além do ensino médio, mas era comprometido com a educação da filha. Ele a incentivou a explorar sua curiosidade, o que contribuiu para que ela se tornasse uma pessoa analítica e determinada. Bugie estudou microbiologia no New Jersey College for Women. Posteriormente, fez mestrado na Rutgers University, trabalhando com Selman Waksman. Sua dissertação, "Produção de substâncias antibióticas por Aspergillus flavus e Chaetomium cochliodes", buscava otimizar a produção de flavicina e chaetomina.
Carreira Bugie trabalhou com antimicrobianos capazes de proteger plantas contra a doença do olmo holandês. Em 1944, Bugie, Waksman e Albert Schatz identificaram a estreptomicina em culturas de organismos do solo, um antibiótico que se mostrou eficaz contra Mycobacterium tuberculosis. Na época, disseram a Bugie que não era importante que seu nome estivesse na patente, pois ela “um dia se casaria e teria uma família”. Waksman acabou recebendo o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1952 e levou sozinho o crédito pela descoberta da estreptomicina. Ele chegou a afirmar que Bugie teve uma participação maior na descoberta do que Schatz, mas, ainda assim, publicou artigos sobre o feito raramente mencionando a ajuda que recebeu. Eventualmente, Bugie recebeu apenas 0,2% dos royalties da estreptomicina. Após essa descoberta, ela trabalhou com a micromonosporina, uma glicoproteína pigmentada ativa contra bactérias gram-positivas. Também atuou na empresa Merck & Co., avaliando o ácido pirazinoico e a penicilina como antibióticos contra Mycobacterium tuberculosis. Ao longo da carreira, desenvolveu diversas substâncias antimicrobianas.
Vida pessoal Após se formar, Bugie casou-se com Francis Joseph Gregory, que também trabalhava como microbiologista no laboratório de Waksman. Mais tarde, ela retornou à vida acadêmica para obter um diploma em ciência da informação, depois de criar sua família. Sua filha, Eileen Gregory, tornou-se microbiologista no Rollins College e afirmou que a mãe “fazia pesquisa não por notoriedade, mas por amor à ciência”.
Morte Elizabeth Bugie Gregory morreu em 10 de abril de 2001. Faleceu sem ter seu nome incluído na patente da estreptomicina.
Descoberta da estreptomicina Na descoberta da estreptomicina, três pessoas tiveram papel fundamental: Waksman, Schatz e Bugie. Eles trabalharam em estreita colaboração e, como grupo, chegaram à descoberta — embora Waksman tenha recebido a maior parte do reconhecimento histórico. Ao analisar as contribuições para o estudo e a descoberta da estreptomicina, Bugie contribuiu tanto quanto, ou possivelmente mais do que Schatz. No entanto, a distribuição financeira foi desigual. Schatz processou Waksman para obter royalties, e, quando os valores foram divididos, Waksman recebeu 10%, Schatz 3%, e os demais membros do laboratório dividiram os 7% restantes, dos quais Bugie recebeu apenas 0,2%. Quando a patente foi registrada, nem Waksman nem Schatz incluíram Bugie, alegando que isso não faria diferença, pois ela eventualmente se casaria e teria filhos. No momento da assinatura da patente, Bugie assinou uma declaração formal na qual afirmava ter sido informada sobre a estreptomicina por Waksman e Schatz e não ter participado de sua descoberta. No entanto, mais tarde, suas filhas relataram que Bugie dizia que, se o movimento de libertação das mulheres já existisse na época, ela teria recebido o devido crédito na patente. Schatz chegou a afirmar que “o fato de Waksman ter pedido que ela realizasse o trabalho já era um reconhecimento de seu talento e competência”, evidenciando o impacto significativo de sua contribuição — contrastando com a baixa compensação que recebeu.
Referências