O papel de mil formas (título original em francês: Le Papier protée; também traduzido como O papel proteiforme, O papel metamórfico, O papel encantado e O papel misterioso) é um curta-metragem mudo francês de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès e lançado pela Star Film. Registrado sob o número 53 do catálogo Star Film, classifica-se como filme de trucagem e constitui um número de prestidigitação em que um papel se transforma — em alusão a Proteu, divindade grega do mar conhecida pela capacidade de mudar de forma. O filme é atualmente considerado perdido.

Descrição O conteúdo do filme não pode ser confirmado em detalhe: nenhuma cópia sobreviveu. Com base no título, o filme apresentava provavelmente um número de trucagem em que um papel sofria transformações sucessivas diante da câmera — mudança de forma, de cor ou de conteúdo —, em referência à capacidade metamórfica de Proteu, divindade grega capaz de assumir qualquer aparência. O adjetivo "proteico" — derivado de Proteu — designava em francês do século XIX qualquer coisa que mudava de forma com facilidade, e era empregado tanto em contextos literários quanto nos programas de variedades e prestidigitação.

Produção

A trucagem de papel Os números de trucagem com papel — folhas que se transformavam, rasgavam e reconstituíam, ou mudavam de cor diante do público — eram um elemento clássico dos espetáculos de prestidigitação do século XIX, incluindo os do próprio Théâtre Robert-Houdin, onde Méliès se apresentava como mágico. A câmera cinematográfica oferecia novas possibilidades para esses efeitos: por meio da técnica de substituição por paragem (*stop trick*) — que Méliès havia descoberto provavelmente em 1896 ao perceber que uma interrupção acidental da câmera criava efeitos de desaparecimento e transformação —, objetos filmados podiam parecer mudar instantaneamente de forma ou natureza.

O título e Proteu O título *Le Papier protée* evoca Proteu, divindade da mitologia grega associada ao mar e à capacidade de assumir formas infinitas para escapar de quem tentasse capturá-la. Na tradição literária e popular francesa do século XIX, o adjetivo *protée* ou *protéique* designava qualquer entidade ou objeto de natureza cambiante e imprevisível. Méliès empregou o termo para nomear um número de trucagem em que o papel — objeto cotidiano e aparentemente inerte — adquiria vida e capacidade de transformação.

Contexto no catálogo Registrado sob o número 53 do catálogo da Star Film, Le Papier protée é precedido por La Voiture du potier (#52) e seguido por Place de la Concorde (#54).

Preservação O filme é considerado perdido. Nenhuma cópia ou fragmento foi localizado em arquivos ou coleções conhecidas.

Ver também Georges Méliès Star Film Company Proteu Filme perdido

Notas

Referências

Ligações externas Le Papier protée no IMDb