O nacionalismo völkisch (em alemão: völkischer nationalismus; lit. “nacionalismo folquista” ou “popular”) é uma ideologia alemã ultranacionalista, etnonacionalista e racialista. Ela parte da concepção essencialista dos völker (“povos”) ou volksgruppen (“grupos étnicos”), descritos como unidades étnico-biológicas e étnico-culturais fechadas dentro de uma hierarquia entre essas populações. O nacionalismo völkisch influenciou o nacionalismo minzoku japonês. Em certos períodos, o nacionalismo völkisch foi uma visão ideológica ampla e predominante na Europa Central, representada em inúmeras associações nacionalistas, geralmente explicitamente antissemitas e racistas, de diversos tipos, com muitas publicações e figuras conhecidas. Ele se diferencia do Movimento Völkisch por ser uma ideologia mais vaga e não inerentemente antissemita. Hoje, particularmente na Alemanha, o etnopluralismo é visto como pertencente à mesma tradição do nacionalismo völkisch. Na Alemanha atual, é mais associado ao partido Alternativa para a Alemanha.
História No final do século XIX, o movimento ganhou influência sobre o debate político e cultural na Europa Central. Sua importância histórica encontrava-se em seu próprio nacionalismo, especialmente no Reich Alemão. O protestantismo alemão é considerado seu apoio social e sua “condição ideal necessária”. Do ponto de vista ideológico, a “mentalidade burguesa protestante” tornou-se cada vez mais germânico-völkisch desde a Reichsgründung (“Fundação do Reich”). Um protestantismo do Reich carregado de nacionalismo levou, assim, ao conceito nazista dos “cristãos alemães”. O Movimento Völkisch, ao qual pertenciam as associações nacionalistas alemãs e o NSDAP, cujo órgão partidário era o jornal Völkischer Beobachter, rejeitava a Constituição de Weimar e defendia conceitos völkisch de comunidade (Völkische Gemeinschaftlichkeitskonzepte). Eram invocadas a homogeneidade biológica e cultural do volk (“povo”) como uma Abstammungsgemeinschaft (“comunidade de descendência”), bem como a “exclusão ou destruição do heterogêneo”. Conceitos völkisch como Volkstum (“caráter/natureza étnica do povo”), Lebensraum (“espaço vital”) e, acima de tudo, Volksgemeinschaft (“comunidade do povo”) estavam amplamente difundidos em grandes partes da população alemã e especialmente dentro do chamado “campo patriótico”, tornando-se parte integrante do programa nazista. Do pós-guerra até os dias atuais, o nacionalismo völkisch é rejeitado pelos círculos políticos dominantes da Alemanha. Contudo, com a ascensão do populismo nativista desde a década de 2010, esses movimentos políticos voltaram a crescer em certa medida no país, sendo emulados pelo Der Flügel (2015–2020), a ala nacionalista völkisch dentro do Alternativa para a Alemanha.
Características O nacionalismo völkisch significa a elevação do próprio volk (“povo”), definido por descendência, cultura e língua comuns, bem como o desejo de uma população homogênea por meio da exclusão de estrangeiros. O povo torna-se um sujeito coletivo. Isso estabelece uma hierarquia de valor entre os völker (“povos”). O cientista social alemão Helmut Kellershohn identifica sete elementos centrais do nacionalismo völkisch:
A equivalência entre “volk” (“povo”) e “nação”, bem como a ideia de uma “nação” homogênea segundo critérios raciais. A elevação do volk a sujeito coletivo no sentido de grupos étnicos, subordinando interesses particulares à primazia da Volksgemeinschaft (“comunidade do povo”); A justificação de um “Estado forte” que organiza a Volksgemeinschaft por meio de elites nacionais e/ou de uma liderança carismática; A “heroificação” do Volksgenosse (“camarada do povo”) “decente”, que se coloca de corpo e alma a serviço de sua comunidade e faz sacrifícios por ela; A construção völkisch ou racista de um “inimigo interno (do Estado)”, responsabilizado pelos fracassos na realização da Volksgemeinschaft, funcionando como projeção negativa para a construção de identidade e consenso dessa comunidade popular; Uma compreensão biopolítica do Volkskörper (“corpo nacional”), que busca mantê-lo ou torná-lo saudável e forte por meio de políticas populacionais; Uma ideia chauvinista de poder.
Referências

