Quase 40 anos após a primeira reconstrução do pênis depois de um câncer, realizada em 1987, pesquisadores do Centro Médico da Universidade Radboud, na Holanda, desenvolveram uma técnica para reconstruir o clitóris durante o tratamento do câncer de vulva. A proposta é preservar a sensibilidade e a possibilidade de orgasmo quando parte do órgão precisa ser retirada para remover o tumor.Os resultados publicados na revista científica Gynecologic Oncology mostram que 16 das 18 pacientes submetidas ao procedimento conseguiram ter orgasmo clitoriano após a operação, o equivalente a 88,9% do grupo. Leia também SaúdePesquisa em modelo 3D revela a complexa rede de nervos do clitóris Pouca vergonhaPela primeira vez, cientistas mapeiam todos os nervos do clitóris Pouca vergonhaSex toys para clitóris são os preferidos do Brasil; veja sugestões Pouca vergonhaAumentando o prazer: 6 posições sexuais para estimular o clitóris Como funciona a reconstruçãoQuando o câncer atinge a região do clitóris, a cirurgia pode exigir a retirada parcial ou completa do órgão. Segundo o hospital, anteriormente a ferida era fechada, deixando o tecido remanescente sob uma camada de pele, com pouca atenção à recuperação da função sexual.A nova abordagem, desenvolvida pela ginecologista oncológica Mieke ten Eikelder e pelo cirurgião plástico Tim Nijhuis, utiliza o tecido preservado após a remoção do tumor.Os profissionais liberam e reposicionam estruturas com nervos para formar uma nova ponta do clitóris, recoberta com um pequeno enxerto retirado da mucosa da boca.O estudo descreve a adaptação de um método utilizado na reconstrução após mutilação genital feminina. A técnica preserva nervos e vasos sanguíneos e acrescenta aproximadamente 15 minutos à operação. Duas das 18 pacientes apresentaram complicações relacionadas especificamente à reconstrução, uma proporção de 11,1%.Como identificar o câncer de vulvaO câncer de vulva é um tumor raro que atinge a parte externa dos órgãos genitais femininos, incluindo os pequenos e grandes lábios, o clitóris e a região do períneo.Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença é mais comum após a menopausa e pode estar associada à infecção pelo HPV, a doenças crônicas da pele e ao enfraquecimento das defesas do organismo.Principais sinais e sintomas do câncer de vulvaCoceira persistente na região da vulva.Mudanças na cor da pele, com áreas esbranquiçadas, avermelhadas ou escurecidas.Nódulos ou caroços na vulva.Dor ou sensação de queimação ao urinar.Sangramento ou secreção anormal.Feridas que não cicatrizam.Recuperação da sensibilidadeEm uma atualização que reúne 23 mulheres operadas, o hospital informou que aproximadamente 90% conseguiram voltar a ter orgasmo clitoriano, geralmente entre três e seis meses após a cirurgia. No início, a região pode ficar mais ou menos sensível, e a recuperação costuma atingir o melhor resultado após um ano.A reconstrução está sendo introduzida em outros hospitais da Holanda dentro de um programa de pesquisa. A próxima etapa avaliará seus efeitos sobre a função sexual e a qualidade de vida, além da incorporação à rotina de atendimento.Os resultados publicados demonstram que a operação é tecnicamente viável, mas os autores ainda indicam a necessidade de avaliação prospectiva, com acompanhamento planejado das pacientes.








