A psicóloga e escritora chilena Pilar Sordo analisou em detalhes a finitude e o diálogo interno durante uma entrevista com José del Rio para LA NACION no âmbito do ciclo Conversaciones. A especialista vinculou o bem-estar emocional à qualidade do diálogo interno e alertou sobre o empobrecimento do vocabulário na comunicação contemporânea. A investigadora associa a estabilidade psicológica ao relacionamento íntimo que cada pessoa mantém consigo mesma. Durante a entrevista, Sordo explicou os resultados de seu trabalho de campo de oito anos. "Cheguei à conclusão de que a unidade mais básica de saúde mental é o diálogo interno." "É como você se fala porque isso determina seu amor próprio, mas não apenas determina seu amor próprio, mas também determina sua visão de mundo". "Diga-me como você se fala e eu direi quanto você se ama." "Como você se fala define seu amor próprio e sua visão de mundo." "Se eu me percebo confiável, o mais provável é que veja confiabilidade no mundo", explicou. Nesse contexto, sublinhou a importância do diálogo interno: "Minha autopercepção tende a definir, de acordo com o que o estudo mostrou, minha visão de mundo e como eu vou me relacionar com ela." "A partir daí, como vou viver meus processos de luto, como vou definir meu propósito de vida e como vou expressar o que acontece comigo em relação a esse mesmo motor", apontou. Como a noção de morte influencia o prazer cotidiano. A psicóloga relatou, a modo de exemplo, uma mudança pessoal após o falecimento do seu parceiro em 2009 e destacou: "A única coisa que te dá consciência de vida é ter consciência da morte". "Antes eu pensava em anos e agora penso em Natalidades, porque me parece mais desafiador, porque encurta. Se eu disser que me restam 20 anos, que é mais ou menos a faixa etária que meus pais têm, sinto ainda que é muito longo. Muda se eu digo: '20 Nats', já quase são 19", explicou. Além disso, a especialista reconheceu que dessa forma as pessoas estão mais atentas na hora de tomar decisões que, de alguma maneira, apontem para a plenitude e para estar em paz. "Torna-me mais consciente." Sempre tentei ouvir o que eu sinto que Deus queria para mim. A única coisa em que sinto que sou protagonista é nunca ter deixado de fazer nada por medo. E fiz com medo. O medo para mim é um estimulador para dizer: 'Ok, estamos muito f*** na lama, então vamos lá e vamos fazer'. Crise na comunicação atual. Sordo alertou para uma redução significativa na troca de ideias e palavras entre os seres humanos ao sustentar que cada vez se fala menos: "Estamos usando menos vocabulário. Vemos reduzindo a quantidade de palavras que circulam por nossas cabezas" "Vocês, os argentinos, enchem tudo com a palavra coso, que pode ser milhões de coisas", sustentou, e abordou a postura do psiquiatra espanhol José Luis Marín, que sustenta: "Nós adoecemos por falta de vocabulário". A especialista sustenta que hoje em dia os indivíduos reduziram a paciência: "Não só me custa dizer o que me passa, mas cada vez você tem menos paciência para me ouvir". "Então essa troca faz com que seja muito difícil gerar conversas onde de verdade ambos se sintam ouvidos e atendidos nessa conversa, porque a conversa tem que ter esse desafio em que eu me exponha a me transformar com o que você me diz", concluiu.












