🎃 O Halloween guarda um segredo vegetal

Antes de ser grande e laranja, a lanterna mais famosa da data era um simples nabo. Quer saber quem fez a troca? ⬇️

A abóbora de Halloween parece eterna, mas nasceu como um nabo entalhado nas noites frias da Irlanda. A troca aconteceu quando os imigrantes irlandeses chegaram à América e toparam com uma hortaliça maior e mais fácil de esculpir. Foi assim que a lanterna de abóbora conquistou as janelas do mundo inteiro.

Por que o nabo veio antes da abóbora no Halloween?

Porque a abóbora não é nativa da Irlanda, e o nabo era a hortaliça à mão para virar lanterna. As famílias esculpiam rostos nele para espantar as almas inquietas que, segundo a crença, voltavam ao mundo dos vivos na véspera do Samhain, festival celta celebrado em 1º de novembro.

O nabo aceso ficava em janelas e portas, com uma vela ou uma brasa dentro. A função era proteger a casa, não enfeitá-la. Em alguns lugares, a batata também entrava na brincadeira. Um molde em gesso de uma dessas lanternas do início do século 20, a chamada ghost turnip, ainda assusta visitantes no Museu Nacional da Irlanda.

De nabo a abóbora: a história do símbolo do Halloween - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Quem é Stingy Jack e qual é o papel dele na lenda?

Stingy Jack é o personagem sovina do folclore irlandês que enganou o Diabo e acabou condenado a vagar com uma lanterna. O relato aparece em 1836 no The Dublin Penny Journal, que associa as luzes dos pântanos irlandeses a esse viajante perdido.

A história muda de versão em versão, mas alguns pontos se repetem. Eles explicam por que o nabo ocupa o centro da lenda.

- Jack convence o Diabo a virar moeda para pagar a bebida e guarda a moeda no bolso, ao lado de uma cruz de prata.

- Recusado no céu e no inferno, ele recebe do Diabo um carvão em brasa para enxergar no escuro.

- Jack coloca o carvão dentro de um nabo oco, e o povo passa a chamá-lo de "Jack da Lanterna", depois "Jack O'Lantern".

O apelido ficou. Até hoje, qualquer jack-o'-lantern, seja de nabo, seja de abóbora, carrega o nome daquele viajante.

Como a abóbora ocupou o lugar do nabo na América?

Por pura praticidade. Ao chegar ao continente, os imigrantes irlandeses descobriram que a abóbora, planta nativa das Américas, era bem mais fácil de entalhar do que o nabo, como explica o setor de Livros Raros e Coleções Especiais da Universidade de Notre Dame. A tradição ganhou um suporte maior e mais fácil de trabalhar.

A mudança não aconteceu de uma hora para outra. A linha do tempo abaixo reúne três marcos registrados por historiadores.

Do nabo à abóbora: três marcos da lanterna

🥬 Antes do século 19

Na Irlanda, o nabo, e às vezes a batata, vira lanterna na véspera do Samhain para afastar espíritos.

📜 1836

O The Dublin Penny Journal publica a lenda de Jack o' the Lantern e as luzes dos pântanos.

🎃 1867

A revista americana Harper's Weekly traz uma das primeiras ilustrações de uma abóbora entalhada.

Fonte: Rare Books and Special Collections, Universidade de Notre Dame

Um detalhe curioso: a gravura de 1867 não fala de Halloween. Ela retrata um velho costume de assustar desavisados com uma lanterna esculpida, e a ligação da abóbora esculpida com a data veio depois.

Quais vantagens deram a vitória à abóbora?

Tamanho, facilidade de entalhe e disponibilidade deram a vitória à abóbora. A troca não foi moda passageira, e três fatores práticos explicam o sucesso.

- Tamanho: a casca grande abre espaço para rostos expressivos e velas maiores.

- Facilidade: a abóbora cede à faca com muito menos esforço do que um nabo.

- Disponibilidade: por ser nativa das Américas, estava ao alcance das famílias recém-chegadas.

Com essas vantagens, a lanterna de abóbora saiu das casas de imigrantes e foi parar em festas, escolas e vitrines. O nabo não sumiu da história, mas virou raridade, lembrança de um Halloween bem mais modesto.

Que tal esculpir um nabo no próximo Halloween?

Vale a pena, porque o nabo guarda a origem da tradição que a abóbora herdou. A lenda de Jack segue acesa dentro de cada lanterna, seja ela irlandesa ou americana. E você, já imaginou contar essa história aos amigos enquanto entalha o seu primeiro nabo?