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A coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos encerrou nesta quarta-feira, 30, sua missão militar no Iraque, mais de duas décadas depois do início da presença americana no país. A saída das últimas tropas, da base aérea de Erbil, no Curdistão iraquiano, encerra a Operação Inherent Resolve, criada em 2014 para combater o grupo Estado Islâmico (EI).

A retirada faz parte de um acordo firmado entre Bagdá e Washington em 2024. Pelo entendimento, Washington e Bagdá concordaram em encerrar gradualmente a missão militar. O plano previa uma primeira fase até setembro de 2025 e uma segunda fase até setembro de 2026.

A operação contra remanescentes do grupo continua na Síria, com a força-tarefa americana sediada na Jordânia.

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Membros das forças de segurança iraquianas fazem o sinal de vitória com os dedos durante um desfile militar que marcou a retirada da coalizão liderada pelos EUA do Iraque, em Bagdá Foto: AHMAD AL-RUBAYE/AFP

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A presença militar dos Estados Unidos no Iraque remonta à invasão de 2003, que derrubou o regime de Saddam Hussein. As tropas americanas deixaram o país em 2011, mas retornaram três anos depois, quando o Estado Islâmico conquistou grandes áreas do Iraque e da Síria.

O grupo promoveu massacres e perseguições contra minorias, incluindo os yazidis, além de escravizar mulheres e crianças. Com apoio da coalizão internacional, das forças de segurança iraquianas e de combatentes curdos e milícias locais, o EI perdeu seus principais territórios no Iraque em 2017. Na Síria, a derrota territorial do grupo ocorreu em 2019.

Mesmo após a derrota territorial do EI, as forças da coalizão permaneceram no Iraque em funções de treinamento, aconselhamento e apoio às forças locais. A presença americana, porém, tornou-se um ponto de tensão entre o governo iraquiano, os Estados Unidos e grupos armados ligados ao Irã.
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Soberania e milícias
O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, celebrou o fim da missão e classificou a retirada como o início de uma nova etapa para o país.
“Começou uma nova etapa, definida pela soberania do Iraque, pela força de suas instituições, pela preparação de suas forças, pela unidade na tomada de decisões e por alianças equilibradas com seus amigos”, afirmou durante uma cerimônia.
Zaidi havia definido 1º de outubro como o início de uma nova fase, após a retirada das forças estrangeiras. Em declaração anterior, o premiê afirmou que a data representaria um novo momento para o Estado iraquiano e defendeu que todas as armas permanecessem sob controle estatal.
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A questão é especialmente sensível diante da presença de grupos armados ligados ao Irã. Durante a luta contra o EI, essas facções e a coalizão liderada pelos EUA tiveram o mesmo inimigo. Após a derrota do grupo extremista, porém, a permanência das tropas americanas passou a ser alvo de oposição de milícias pró-Irã.
O governo iraquiano vinha negociando com essas organizações a transferência de suas armas para o controle do Estado. O prazo inicialmente estabelecido para o processo foi posteriormente adiado, diante da resistência de algumas facções.
A organização Kataeb Hezbollah, uma das principais milícias apoiadas pelo Irã no Iraque, celebrou a saída americana e afirmou que ela seria um primeiro passo para alcançar a “soberania plena”. O grupo também fez ameaças ao governo caso suas decisões não atendam aos seus interesses.
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O que muda com a saída
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O fim da missão não significa o rompimento das relações militares entre Washington e Bagdá. Segundo o Comando Central dos EUA, a retirada marca a transição para uma relação bilateral de defesa entre os dois países. A força-tarefa que atuava no Iraque continuará operando a partir da Jordânia na campanha contra o Estado Islâmico na Síria.
A retirada também provoca preocupações no Curdistão iraquiano. Autoridades da região temem perder parte da proteção oferecida pelos sistemas de defesa aérea americanos em um momento de tensão regional.
Para o governo de Bagdá, por outro lado, o fim da missão representa um marco na afirmação da soberania nacional. Os chefes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário classificaram a saída como um momento que consolida a presença do Estado e de suas instituições e defenderam o enfrentamento à existência de armas fora do controle estatal. /AFP
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