A Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (SOBENA) é uma associação técnico-científica brasileira, sem fins lucrativos, com sede na cidade do Rio de Janeiro. A SOBENA é uma entidade representativa da engenharia naval e oceânica no Brasil, atuando como um fórum de debates para o desenvolvimento tecnológico, acadêmico e industrial dos setores de transporte aquaviário, construção naval e exploração de recursos marinhos. A entidade mantém intercâmbio técnico com organizações internacionais congêneres, como a britânica Royal Institution of Naval Architects (RINA), a norte-americana Society of Naval Architects and Marine Engineers (SNAME), a Japan Society of Naval Architecture and Ocean Engineering (JASNAOE), o Instituto Pan-Americano de Engenharia Naval (IPEN) e o International Ship and Offshore Structures Congress (ISSC).
História A SOBENA foi fundada em 15 de março de 1962, no Rio de Janeiro, em um contexto de expansão da marinha mercante nacional e da implementação de grandes estaleiros no país. Sua criação visava integrar o conhecimento acadêmico das recém-formadas escolas de engenharia naval com a prática industrial. Durante as décadas de 60 e 70, a SOBENA serviu como suporte técnico para o ciclo de crescimento que colocou o Brasil na época como o segundo maior construtor naval do mundo. Durante as décadas de 80 e 90, a entidade ampliou sua área de atuação para a exploração marítima de petróleo e gás, acompanhando o desenvolvimento das tecnologias de águas profundas lideradas pela Petrobras na Bacia de Campos. Em 22 de março de 1989, foi classificada como de utilidade pública federal, pelo decreto federal no 97.589. Em 27 de outubro de 1999, foi considerada como de utilidade pública para a cidade do Rio de Janeiro. A partir da descoberta da camada pré-sal no Brasil, em 2006, a SOBENA ampliou sua atuação para o debate de normas técnicas aplicada a unidades flutuantes de produção (FPOs e FPSOs). Em 2011 a SOBENA foi responsável pela divulgação e distribuição do livro A Construção Naval Militar Brasileira no Século XX, do engenheiro naval Eduardo Câmara. Em 2020, desenvolveu, em colaboração com a Marinha Brasileira, uma minuta de resolução sobre a área do descomissionamento de navios e plataformas petrolíferas, fomentando assim o renascimento da indústria naval brasileira. Neste mesmo ano, o engenheiro naval Ricardo Barreto Portella assumiu a presidência da associação, tendo Luiz Carlos Barradas como vice. A atual diretoria, que assumiu em janeiro de 2024, tem como presidente e vice-presidente, respectivamente, os engenheiros navais Luiz Carlos Barradas e Luis de Mattos. Atualmente a instituição lidera debates sobre a transição energética, incluindo o uso de combustíveis alternativos e a implementação de parques de energia eólica offshore na costa brasileira.
Eventos e periódicos Como parte das suas atividades, a SOBENA tem organizado, desde sua fundação, diversos congressos e conferências técnicas, com a finalidade de promover a difusão do conhecimento técnico e científico na área naval.
Em outubro de 1963, a instituição realizou o primeiro Congresso Nacional de Transporte Aquaviário, Construção Naval e Offshore, que foi o embrião dos seus posteriores congressos bianuais. Outros eventos promovidos pela SOBENA incluem:
O Seminário sobre Meio Ambiente Marinho, cuja primeira edição, em 1999, ocorreu em Belém O Seminário Internacional de Transporte e Desenvolvimento Hidroviário Interior, cuja primeira edição ocorreu em 2003, refletindo a crescente preocupação do setor com a sustentabilidade e a prevenção de poluição por embarcações, em busca de soluções de descarbonização e proteção do ecossistema marinho. O Seminário de Manutenção de Navios Militares, em parceria com a Marinha do Brasil, com primeira edição em 2018, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) A publicação oficial da SOBENA é a revista Marine Systems & Ocean Technology (MSOT), um periódico multidisciplinar dedicado ao avanço da pesquisa e da inovação tecnológica em sistemas marítimos, engenharia oceânica e arquitetura naval.
Referências