Neila Guimarães

Ação aponta ordem para apagar logs e levanta suspeita sobre caso do INSS
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Reclamação trabalhista cita Alexandre Caetano, ligado ao Careca do INSS; ele é representado por Willer Tomaz

Ação aponta ordem para apagar logs e levanta suspeita sobre caso do INSS - destaque galeria
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Neila Guimarães

Banco de dados sistema Athenas
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24/10/2026 13:58

Processo aponta coação para apagar logs
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Ação aponta ordem para apagar logs e levanta suspeita sobre caso do INSS

Contrato social da Voga
Contrato social da Voga · Imagem: Source: www.metropoles.com

Uma reclamação trabalhista contra Alexandre Caetano dos Reis, sócio-administrador da Voga Serviços Contábeis, relata que ele teria ordenado a um funcionário que apagasse registros do sistema contábil Athenas em 28 de abril de 2025, cinco dias após uma operação da Polícia Federal relacionada ao caso do INSS. Segundo o trabalhador, a determinação tinha como objetivo ocultar alterações contábeis de empresas atendidas pela contabilidade. Ele afirma que se recusou a cumprir a ordem, por considerá-la ilícita.

Adulteração após operação da PF
Adulteração após operação da PF · Imagem: Source: www.metropoles.com

A peça judicial sustenta que, apesar da recusa, alterações teriam sido implementadas por terceiros com acesso administrativo ao sistema, sob comando da gestão da empresa. O documento também relata a existência de bancos de dados anteriores e posteriores às modificações, que, segundo o trabalhador, foram preservados para permitir uma análise pericial.

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Alexandre é apontado como contador de empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e à Vênus Consultoria, relacionada nas investigações ao recebimento de recursos provenientes de descontos indevidos em benefícios previdenciários. A Voga também presta serviços contábeis ao escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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O contador é representado na ação trabalhista pelo advogado Willer Tomaz, investigado no caso do INSS e apontado como amigo de Flávio. Outro vínculo mencionado é o de Letícia Caetano dos Reis, irmã de Alexandre, que atua na administração do escritório de advocacia do senador. Empresas ligadas ao grupo também compartilham endereços comerciais em Brasília.

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As alegações sobre a suposta ordem para apagar registros, as alterações no sistema e os vínculos empresariais levantam questões sobre a eventual relação entre os dados contábeis e as empresas investigadas.

Suposta ordem ocorreu após operação da PF

De acordo com o relato apresentado à Justiça do Trabalho, a ordem teria sido dada em 28 de abril de 2025, depois de uma operação policial realizada nas dependências da empresa entre os dias 21 e 24 daquele mês. O documento afirma que a ação policial envolveu a apreensão de veículos de um dos sócios.

A peça também contextualiza a ordem com a relação comercial entre a contabilidade e empresas ligadas ao Careca do INSS. Segundo o trabalhador, a determinação para alterar os registros teria ocorrido justamente após a operação policial, com a finalidade de ocultar mudanças indevidas na contabilidade dos negócios atendidos pela empresa.

A reclamação atribui aos sócios da empresa uma atuação coordenada na condução de práticas que considera irregulares.

Trabalhador diz ter preservado bancos de dados

Um dos elementos destacados na ação é a afirmação de que o funcionário preservou pelo menos duas cópias de bancos de dados anteriores às alterações, além de outras cópias posteriores às modificações realizadas.

De acordo com a peça, o material permitiria comparar as versões e submeter as mudanças a uma perícia técnica. O trabalhador afirma que atuava como responsável técnico pelo ambiente de tecnologia da informação e que tinha conhecimento das operações realizadas no sistema.

A reclamação descreve o Athenas como o principal sistema corporativo da empresa, utilizado para concentrar informações operacionais e registros sensíveis. Por isso, sustenta que a manipulação de arquivos, bancos de dados e logs poderia comprometer a rastreabilidade das operações.

Os logs são registros eletrônicos que podem documentar eventos de um sistema, como acessos, operações e alterações. Sua utilidade para reconstruir o histórico de uma atividade depende, entre outros fatores, das funcionalidades do programa, das configurações adotadas e da preservação dos arquivos originais.

Peça relata compartilhamento de senhas e acessos administrativos

Outro trecho da reclamação descreve um ambiente de tecnologia da informação com fragilidades nos controles de acesso. Segundo o trabalhador, havia utilização de senhas padrão e compartilhamento de credenciais entre vários usuários, além de registros de alterações feitas por meio de um perfil administrativo vinculado a outro funcionário.

A peça afirma que essas práticas dificultavam a identificação individual de quem realizava cada operação no sistema. Também menciona monitoramento de usuários e captura de dados sensíveis, aspectos que, segundo o trabalhador, ampliavam o controle da administração sobre as informações e as atividades realizadas no ambiente corporativo.

Alterações teriam ocorrido mesmo após recusa

A reclamação afirma que, apesar de o funcionário ter se recusado a realizar as modificações solicitadas, as alterações teriam sido executadas por terceiros com acesso administrativo ao sistema. Segundo a narrativa, as operações ocorreram sob orientação da gestão empresarial.

O trabalhador sustenta que a recusa em executar as alterações foi motivada pela compreensão de que as condutas eram ilícitas. A peça também relata que o episódio teria intensificado os conflitos profissionais e as perseguições que ele afirma ter sofrido no ambiente de trabalho.

Em outro trecho, o funcionário descreve uma sequência de problemas que, segundo ele, começou em 2024 e teria incluído aumento da carga de trabalho, exigência de cópias de segurança de grandes volumes de dados ao final do expediente e cobranças relacionadas a supostas alterações salariais.

O outro lado

Alexandre é representado no processo por Willer Tomaz, advogado investigado no caso do INSS. Procurada pela coluna, a defesa preferiu não se manifestar